
Em tempos de crise. Segunda edição, revista e ampliada.
Em tempos de incerteza, dificuldades financeiras e desafios pessoais, onde buscar força e esperança? A resposta está em São José, o protetor da Sagrada Família, refúgio seguro em meio às crises.
eBook Kindle · 143 páginas · Português · Publicado em 17 de março de 2025
Em tempos de incerteza, dificuldades financeiras e desafios pessoais, onde buscar força e esperança? E se o refúgio mais seguro fosse o homem silencioso que protegeu o próprio Filho de Deus nas maiores crises?
Neste livro você descobre como a devoção a São José, o protetor da Sagrada Família, pode fortalecer a sua fé nos momentos mais difíceis. Esta segunda edição, revista e ampliada, une a biografia evangélica do homem de Nazaré, as orações tradicionais da Igreja, as alegrias e dores, a novena e a consagração, sempre com fidelidade à doutrina e sem sensacionalismo.
José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa.Mateus 1, 20 · Bíblia de Jerusalém
Em tempos de incerteza, dificuldades financeiras e desafios pessoais, onde buscar força e esperança? A resposta está em São José. Neste livro, o leitor descobre como a devoção a São José, o protetor da Sagrada Família, pode transformar a sua vida e fortalecer a fé nos momentos mais difíceis.
Esta segunda edição, revista e ampliada, percorre em oito capítulos a figura de São José: o homem chamado José, o silêncio que fala, a história da devoção da sombra ao altar, as alegrias e dores, as orações maiores, a novena, a consagração e a presença de São José na crise concreta do leigo de hoje.
Em meio às crises, São José sempre foi um refúgio seguro. Esta obra ajuda o leitor a conhecer seu poder de intercessão e a experimentá-lo, sem cair em superstição, mantendo a devoção sempre voltada a Cristo, a quem o próprio José serviu e protegeu.
Uma Nota à segunda edição e um Prólogo abrem o volume, antes dos oito capítulos.
Cinco apêndices completam a obra: as alegrias e dores, a novena, a fórmula da consagração, o calendário das festas de São José e o material de referência da devoção.
Antes de comprar, leia o capítulo de abertura por inteiro e conheça o tom, o rigor e o cuidado desta edição.
O Evangelho segundo Mateus abre o Novo Testamento com uma genealogia. Quarenta e duas gerações conduzem de Abraão até o homem que dará nome a este capítulo. O texto termina dizendo que Jacó gerou José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo. Lucas, escrevendo provavelmente para um público de cultura grega, oferece outra genealogia, ascendente em vez de descendente, que parte de Jesus e recua até Adão, passando também por José.
As duas genealogias divergem em vários pontos, e séculos de exegese tentaram conciliá-las. A explicação mais antiga, registrada já por Júlio Africano no século III, é que uma das genealogias seria a de José pelo direito legal e a outra pelo direito biológico. Outra leitura, defendida por exegetas modernos, é que Lucas teria recolhido a genealogia de Maria, atribuída a José por se considerar que a esposa entrava juridicamente na linhagem do marido. A questão técnica importa menos do que o que as duas listas concordam em afirmar: José pertence à casa de Davi. Não como pretensão tardia, mas como fato genealógico que Mateus e Lucas, independentemente um do outro, registram com cuidado.
Essa filiação davídica não é detalhe ornamental. As profecias messiânicas do Antigo Testamento, particularmente as de Natã a Davi em 2 Samuel 7 e as de Isaías, anunciavam que o Messias viria da linhagem real. Para que Jesus pudesse ser legalmente reconhecido como descendente de Davi, era preciso que José, seu pai legal, fosse davídico. A paternidade de José sobre Jesus não é biológica, mas é a paternidade que insere o filho na história da promessa. Sem José, Jesus seria filho de Maria. Com José, Jesus é também filho de Davi. A função teológica do pai legal aqui é decisiva, e a Igreja a percebeu desde os primeiros séculos.
O nome José, Yôsef em hebraico, significa "aquele que acrescenta" ou "Deus acrescentará". O primeiro José da história sagrada, o filho de Jacó vendido pelos irmãos no livro do Gênesis, foi homem dos sonhos, intérprete dos sonhos do Faraó, e administrador que salvou o Egito da fome. A tradição cristã, desde os Padres, viu na correspondência de nomes uma figura: o José do Antigo Testamento, que acolheu sua família no Egito, prefigura o José do Novo Testamento, que conduz sua família ao Egito para salvá-la. O sonho continua sendo o lugar onde Deus fala com os dois Josés.
Quando os textos canônicos nos apresentam José, ele vive em Nazaré, na Galileia. Era uma aldeia, não uma cidade. Pesquisas arqueológicas conduzidas desde o início do século XX têm reconstituído o que se sabe sobre o lugar. Nazaré ocupava uma colina suave próxima à grande estrada que ligava Séforis, capital da Galileia naqueles anos, ao porto mediterrâneo de Ptolemaida. A aldeia mesma, escondida da estrada, era pobre. Estimativas atuais calculam uma população entre cem e quatrocentos habitantes. Casas em pedra, com pisos de terra batida, cisternas escavadas na rocha para guardar a água da chuva, prensas de azeite e de uvas. Uma economia agrícola e artesanal de subsistência.
A obscuridade de Nazaré era proverbial. Quando Natanael ouve falar de Jesus pela primeira vez no Evangelho de João, sua reação espontânea é perguntar se de Nazaré pode sair algo de bom. A aldeia não aparece nenhuma vez no Antigo Testamento, não aparece em Flávio Josefo, não aparece no Talmude antigo. Ela só entra na história escrita porque dela saiu Jesus, e dela vinham seus pais. Era, portanto, em uma aldeia perdida do norte que José vivia. O dado importa porque diz muito sobre a vida concreta do homem. Não era artesão de corte, prestando serviços a uma elite urbana. Era trabalhador de aldeia, provavelmente percorrendo a pé as colinas para trabalhar em Séforis, a oito quilômetros, onde Herodes Antipas conduzia ambicioso projeto de reconstrução nas primeiras décadas do século I.
O Evangelho de Mateus chama Jesus de filho do carpinteiro. Marcos, em texto paralelo, chama o próprio Jesus de carpinteiro. A palavra grega nos dois textos é tektōn. A tradução por "carpinteiro" é fiel à tradição ocidental, mas exige nuança. Tektōn designava, no grego do século I, o trabalhador que construía com madeira ou com pedra, e, com frequência, com os dois. Era o profissional de obras de aldeia: portas, janelas, vigas, mobiliário rústico, arados, jugos para os bois, eventualmente trabalhos em alvenaria. A imagem de José como marceneiro de oficina próspera, com aprendizes e clientes, deve-se mais à iconografia do Renascimento europeu do que aos textos. O tektōn do mundo de José era um artesão pobre que trabalhava por encomenda, frequentemente sob o sol da Palestina, com ferramentas simples.
A Igreja antiga, especialmente os Padres siríacos, refletiu sobre esse ofício com profundidade teológica. Justino mártir, no século II, escreve em seu Diálogo com Trifão que Jesus, em Nazaré, fabricava arados e jugos de carga, ensinando assim, pelo próprio trabalho, os símbolos da justiça e da vida ativa. A imagem do jugo retornará nos lábios do próprio Jesus em Mateus, quando convida a tomar sobre si o seu jugo suave. A familiaridade com a feitura de jugos não é detalhe periférico. É a metáfora central de uma das passagens mais conhecidas do Evangelho, e ela vem da oficina de José. A passagem de ofício, de pai a filho, era a regra no mundo de Nazaré. José ensinou a Jesus o que sabia. Trinta anos da vida de Jesus, contra três anos de vida pública, foram passados ao lado de José na oficina.
Os Evangelhos chamam José de esposo de Maria e Maria de esposa de José antes mesmo de qualquer descrição de cerimônia nupcial. A explicação está nos costumes matrimoniais judaicos do período. O matrimônio se constituía em duas etapas: o kiddushin, ou desposório, era o ato jurídico que tornava o homem e a mulher legalmente cônjuges, e podia ocorrer com a mulher ainda muito jovem; o nissuin, ou levar para casa, ocorria meses ou um ano depois, e era quando os esposos passavam a coabitar. Entre as duas etapas, o vínculo já era pleno em termos jurídicos: a moça era esposa do homem, romper o vínculo exigia carta de repúdio, e a infidelidade era punida como adultério. É nesse intervalo que Mateus situa a descoberta da gravidez de Maria, quando, estando ela desposada com José, antes de viverem juntos, achou-se grávida pelo Espírito Santo.
A descoberta da gravidez coloca José diante de uma crise que os comentaristas antigos chamaram de primeira angústia de São José. O texto de Mateus é célebre: José, sendo justo e não querendo expor Maria à infâmia, resolveu repudiá-la em segredo. A palavra "justo", dikaios em grego, designa o homem que cumpre a Lei. Como pode um homem justo, isto é, observante da Lei, recusar-se a denunciar publicamente a esposa supostamente adúltera, conforme a Lei mandaria? Os Padres da Igreja debateram isso durante séculos, e o capítulo seguinte deste livro entra nessa discussão. Por ora, basta registrar que o silêncio de José nesse momento, sua recusa de expor Maria à infâmia, é o primeiro ato registrado de sua vida nos Evangelhos. O homem que ainda não disse uma palavra já se mostra capaz de proteger.
A resolução virá em sonho. O anjo do Senhor aparece a José e lhe diz que não tema receber Maria, sua esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo, e que ela dará à luz um filho, a quem ele dará o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. O nome a ser dado é, juridicamente, o ato de reconhecimento da paternidade legal. Ao dar o nome ao Menino, José o insere oficialmente em sua linhagem davídica. O anjo não pede a José apenas que receba Maria; pede que assuma Jesus como filho. José o fará.
A continuidade da história, narrada por Lucas, leva os esposos a Belém. Naqueles dias, foi promulgado um edito de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. O detalhe administrativo importa. César Augusto, primeiro imperador romano, conduziu durante seu longo governo diversos recenseamentos para fins fiscais. As datas exatas dos censos provinciais ainda são debatidas entre historiadores, mas o quadro geral é claro: o Império romano, organizando seus tributos, ordenava periodicamente que os habitantes das províncias se registrassem em suas cidades de origem. Para José, descendente de Davi, a cidade de origem era Belém da Judeia, a quase cento e cinquenta quilômetros de Nazaré. A viagem, a pé ou com um animal de carga, durava de três a cinco dias por terreno acidentado. Maria estava grávida em fase avançada.
O nascimento ocorre em Belém. A frase clássica de Lucas, segundo a qual Maria deitou o Menino numa manjedoura porque não havia lugar para eles na hospedaria, pede precisão. A palavra grega traduzida por "hospedaria", katalyma, designa, no uso de Lucas, um espaço de hospedagem doméstico, não uma estalagem comercial. A casa típica da Judeia rural tinha um cômodo principal onde os hóspedes se alojavam e, ao fundo ou abaixo, um espaço onde se recolhiam os animais à noite, com manjedouras escavadas na rocha ou de pedra. A leitura mais provável é que o espaço de hóspedes da casa onde José buscou abrigo, possivelmente de parentes ou de conhecidos, estava lotado pelos demais visitantes do recenseamento, e que José e Maria foram acomodados no espaço inferior, junto aos animais. O dado corrige um exagero romântico e devolve à cena sua aspereza real. José, em Belém, é um homem afastado de casa, sem alojamento adequado, vendo a esposa dar à luz num cômodo de animais.
Quarenta dias depois do nascimento, conforme a Lei mosaica, Maria e José sobem a Jerusalém para a purificação e para a apresentação do primogênito. A oferta que fazem é a oferta dos pobres, um par de rolas ou dois pombinhos, que a Lei permitia àqueles que não tinham recursos para oferecer um cordeiro. O detalhe econômico importa: José e Maria, na Jerusalém daqueles dias, registram-se entre os pobres do Templo. No Templo, o ancião Simeão toma o Menino nos braços e profetiza. As palavras dirigidas a Maria, e ouvidas por José ali ao lado, são duras: este menino foi posto para queda e ressurreição de muitos em Israel, e uma espada traspassará a própria alma de Maria. O homem que ainda não ouvira palavra alguma diretamente sobre o futuro do filho ouve agora o anúncio do que esse futuro contém.
A volta para casa, no entanto, será adiada. Mateus narra o que vem a seguir. Magos do oriente chegam a Jerusalém perguntando pelo rei dos judeus recém-nascido. Herodes, o Grande, então no fim do seu reinado de quase quarenta anos, percebe a ameaça política e arquiteta a destruição da criança. José, ainda em Belém ou nas redondezas, recebe novo aviso em sonho, ordenando que se levante, tome o menino e sua mãe e fuja para o Egito, permanecendo ali até nova ordem, porque Herodes procura o menino para o matar. A obediência é imediata. O texto bíblico mantém o ritmo seco que caracteriza toda menção a José: ele se levantou, tomou o menino e sua mãe, durante a noite, e partiu para o Egito. Quatro verbos em sequência, nenhuma palavra. José executa.
O Egito, naquele tempo, era província romana com importante diáspora judaica, particularmente em Alexandria. Era também terra à qual fugitivos da Judeia recorriam tradicionalmente. A tradição cristã antiga preservou indicações sobre a permanência da Sagrada Família no Egito, embora os textos canônicos não detalhem nem o lugar, nem a duração, nem as condições. Apócrifos elaboraram cenas, frequentemente lendárias, mas a Igreja sempre as tratou como ornamento devocional, não como dado histórico. O que se sabe, do texto canônico, é apenas isto: José tirou a família da Judeia, atravessou o deserto do Sinai com a esposa e o Menino, e refugiou-se em terra estrangeira. A morte de Herodes, ocorrida provavelmente em abril do ano 4 a.C. segundo a cronologia mais aceita, é o sinal para o retorno. O anjo aparece a José em sonho pela terceira vez, e ele obedece de novo. Os mesmos verbos, a mesma ausência de palavra. Levanta-se, toma o menino e a mãe, e parte.
O retorno, porém, não será a Belém nem aos arredores. José, ao saber que Arquelau, filho de Herodes, sucedera ao pai na Judeia, teme. O quarto sonho lhe orienta a retirar-se para a Galileia, e ali José fixa morada na sua antiga aldeia de Nazaré, para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas, de que ele seria chamado nazareno. A escolha de Nazaré é, simultaneamente, cumprimento da profecia e cautela paterna. Nazaré era obscura, periférica, fora do radar dos herodianos. É na obscuridade dessa aldeia que se passarão os trinta anos seguintes. Tudo o que os Evangelhos nos contam dessa fase cabe em poucas linhas: o episódio dos doze anos, quando Jesus permanece no Templo de Jerusalém sem que José e Maria percebam, levando a três dias de busca aflita; a menção de que Jesus era conhecido como filho do carpinteiro; e a menção, no momento da paixão, de que Maria já não tinha esposo, motivo pelo qual Jesus a confia ao discípulo amado a partir da cruz. Disso se infere, com segurança razoável, que José morreu antes do início da vida pública de Jesus. Não se sabe quando, não se sabe como.
Reunindo o que os textos canônicos nos entregam, eis o material biográfico de José: descendente de Davi, tektōn em Nazaré, esposo de Maria por desposório, pai legal de Jesus por reconhecimento jurídico, homem dos quatro sonhos em Mateus, peregrino entre Nazaré, Belém, Egito e Nazaré de novo, ausente das narrativas a partir do episódio do Menino no Templo. Nenhuma palavra falada registrada. Nenhuma queixa, nenhuma pergunta, nenhuma intervenção pública. Apenas atos: receber, dar nome, levantar-se, tomar o menino e a mãe, partir, retornar, escolher Nazaré, ensinar o ofício.
A devoção popular brasileira, e a oração tradicional da Igreja, herdaram essa figura e a coloriram com séculos de afeto. Há danos quando o colorido se descola do desenho original, e este capítulo tentou redesenhar o original com a tinta seca dos Evangelhos. Mas há também ganho real quando a devoção dilata o que o texto sugere, e os capítulos seguintes deste livro tratarão dessa dilatação com cuidado. Por ora, fixe-se o ponto: o homem chamado José foi um trabalhador pobre de uma aldeia perdida, que recebeu de Deus uma missão impossível e a executou em silêncio. Quem reza a São José reza a um homem com essa biografia. Tudo o que se vier a dizer sobre ele, na devoção e na teologia, parte daqui.
O Capítulo I termina aqui. Os outros sete capítulos, com as orações, as alegrias e dores, a novena e a consagração, estão na edição completa.
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